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Limma destaca reconhecimento inédito de comunidade tradicional pelo Incra para inclusão na reforma agrária no Piauí

Medida alcança 123 famílias de quebradeiras de coco do Território Santa Rosa, em São João do Arraial

Jornalista Orlando Paiva
Por: Jornalista Orlando Paiva Fonte: Ascom
02/09/2026 às 19h13
Limma destaca reconhecimento inédito de comunidade tradicional pelo Incra para inclusão na reforma agrária no Piauí
Fotos: Letícia Mendes

O Território Tradicional Quebradeiras de Coco Santa Rosa, em São João do Arraial, no Piauí, tornou-se o primeiro do Brasil reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de inclusão no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). A medida alcança 123 famílias que vivem e trabalham em uma área de 1.162 hectares e têm no extrativismo do babaçu uma importante fonte de renda.

Com a Portaria nº 2.149, de 20 de agosto de 2026, o Incra também autorizou o início da análise das unidades familiares para verificar quais poderão integrar a Relação de Beneficiários do programa. 

O deputado estadual Francisco Limma (PT), que acompanha há anos as reivindicações das quebradeiras de coco, destacou a importância da decisão para as famílias da comunidade. “Com o reconhecimento, abre-se a possibilidade de essas famílias acessarem políticas destinadas aos beneficiários da reforma agrária, como crédito, assistência técnica e apoio à produção. É uma conquista que dá mais força a uma luta construída há muitos anos”, afirmou.
A medida também representa uma mudança na forma como o Incra passa a atender povos e comunidades tradicionais. “É uma quebra de paradigma dentro do Incra”, define o perito federal territorial da Coordenação-Geral de Regularização Fundiária de Territórios de Povos e Comunidades Tradicionais do Incra, Paulo Gustavo.

Segundo ele, a atuação do órgão nessa área estava estruturada principalmente para projetos de assentamento e territórios quilombolas. A criação de uma estrutura específica para os demais povos e comunidades tradicionais amplia a possibilidade de atendimento a outros segmentos que ainda não contam com procedimentos próprios de identificação e delimitação de seus territórios.

Uma luta construída pelas quebradeiras

O deputadoa Limma atribuiu o avanço principalmente à mobilização das próprias quebradeiras de coco de Santa Rosa. “Essa vitória é fruto da luta e da resistência de mulheres que nunca abriram mão do direito de viver, trabalhar e preservar esse território”, disse.

Natural de São João do Arraial, o parlamentar mantém entre as pautas de sua atuação a agricultura familiar, o extrativismo do babaçu e a defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais.

Santa Rosa já havia alcançado outro avanço importante em fevereiro de 2025, quando recebeu a titulação coletiva do território. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) registra Santa Rosa como o segundo território coletivo de quebradeiras de coco regularizado no Brasil. 

Além da importância econômica da atividade para as famílias, as quebradeiras mantêm conhecimentos tradicionais relacionados ao aproveitamento do babaçu e um modo de vida diretamente associado à conservação dos babaçuais.

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